Conceição Telhado
Nesta edição da +Vida, a CUF destaca o percurso de Conceição Telhado, uma profissional de saúde que conta com quase 50 anos de carreira. Durante 18 anos, assumiu a Coordenação da especialidade de Ginecologia-Obstetrícia no Hospital CUF Descobertas, no qual acompanhou cerca de 12 mil mulheres. Contribuiu de forma consistente, com a sua equipa, para a diferenciação, segurança e qualidade clínica do Serviço.
Quando decidiu que queria ser médica?
No 7º ano do liceu, mas o entusiasmo com a especialidade surgiu durante o estágio no serviço de Ginecologia.
O que distingue a especialidade, atualmente, em relação à altura em que se formou?
Surgiram subespecialidades; otimizou-se a ecografia, tanto em imagem como em diferenciação clínica. Quando iniciei a minha atividade, muitos hospitais nem sequer tinham ecógrafo; houve avanços nos tratamentos minimamente invasivos - da laparoscopia, à histeroscopia e, recentemente, a cirurgia robótica. Desenvolvimentos que têm permitido melhores resultados diagnósticos e clínicos.
O que sentiu ao ser convidada para criar o serviço de Ginecologia-Obstetrícia no Hospital CUF Descobertas?
Quando abracei o projeto, tinha 49 anos e trazia experiência da criação do Serviço de Ginecologia no Hospital Fernando Fonseca. Tinha muita vontade de continuar a trabalhar numa área que sempre me apaixonou e continuar a ser inovadora. Senti-me desafiada.
Quais foram os principais desafios que encontrou?
O principal desafio foi criar de raiz, num hospital privado, um serviço de excelência, com diferenciação tecnológica e uma equipa multidisciplinar motivada, preparada para intervir perante qualquer situação. É desafiante ter uma maternidade aberta 24 horas por dia, todo o ano.
O que destaca de mais positivo?
O Hospital CUF Descobertas deu-me a oportunidade de dinamizar uma medicina diferenciada e de qualidade, com uma equipa capaz de lidar com todos os desafios. A nossa Maternidade é hoje uma referência nacional, com um número de partos semelhante ao de grandes hospitais. Conseguimos diferenciar-nos ao entendermos a saúde da mulher como um todo. Há muito tempo que percebemos que se trabalharmos em parceria com especialistas de outras áreas, não só garantimos um diagnóstico mais rápido e preciso, como prestamos melhores cuidados.
Que projetos mais se orgulha de ter integrado?
Orgulho-me de ter criado uma equipa fantástica, que soube crescer e replicar o espírito de um hospital de excelência. Fomos pioneiros em tratamentos diferenciados e no lançamento de várias consultas, entre as quais: Apoio à Fertilidade; Menopausa; Endometriose; Uroginecologia e Alto Risco Obstétrico.
-
Nasceu a 23 de março de 1951 em Lisboa
-
Licenciou-se em Medicina e Cirurgia, em 1974
-
Fez a especialidade de Ginecologia- Obstetrícia no Hospital de Santa Maria
-
Trabalhou como especialista nos hospitais do Montijo/Barreiro e na Maternidade Dr. Alfredo da Costa
-
Desde a sua formação até 2001 foi Diretora de Serviço de Ginecologia no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra)
-
Junta-se à CUF em 2001, assumindo o cargo de Coordenadora de Ginecologia-Obstetrícia no Hospital CUF Descobertas durante 18 anos.
-
Foi vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia
-
Fez parte do colégio da especialidade de Ginecologia-Obstetrícia da Ordem dos Médicos, durante 9 anos
Pode contar-nos alguma história que a tenha marcado particularmente na sua carreira?
Não consigo eleger uma só. Marcam-nos sempre os casos complicados e que têm tudo para correr mal, mas nos quais conseguimos ter êxito. Felizmente, ao longo da carreira e depois de mais de 5 mil partos, guardo muitas histórias positivas. O nascer é sempre emocionante: cada parto é único, desafiante, mas muito enriquecedor, com estreita relação com as famílias.
Após a passagem de testemunho, que mensagem gostaria de deixar às novas gerações de médicos?
Fui Coordenadora de Serviço no Hospital CUF Descobertas durante 18 anos e passei o testemunho há quatro. Nos últimos dois anos reduzi a atividade clínica. Agora já não dou consultas, mas faço questão de continuar a ir ao hospital para apoiar os meus colegas. É importante prezar a vontade de aprendizagem das novas gerações, incentivá-las a apostarem na experiência cirúrgica e na diferenciação dos cuidados prestados. Gostaria de desejar-lhes sucesso, que só se consegue com seriedade clínica e dedicação. Só com trabalho e atualização científica, podemos dar aos nossos doentes o que merecem. Que todos se sintam tão realizados como eu. Não posso terminar sem agradecer o apoio dos colegas, enfermeiros, auxiliares e administração. Um bem haja a todos.
Como prevê o futuro da Ginecologia-Obstetrícia?
A genética, a imunologia, a imagiologia e a inteligência artificial continuarão a ser foco de investimento, mas, em paralelo, e não menos importante, será a diferenciação contínua dos profissionais que irá permitir melhores resultados.
Fotografias de Luís Sousa 4SEE