O que se sabe sobre a variante Delta da COVID-19

COVID-19
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A variante Delta da COVID-19 tem maior potencial de transmissão e os sintomas apresentados podem ser diferentes dos habitualmente associados a esta infeção.

A variante Delta da COVID-19 (também conhecida por B.1.617.2) tem-se revelado mais transmissível comparativamente à variante Alpha (B.1.1.7). Dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), publicados em 18 de junho de 2021, revelam que em Portugal já existe transmissão comunitária desta variante. Os dados mais pormenorizados acerca desta variante em Portugal estão incluídos no Relatório de monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19, Relatório nº 12 - 18/06/2021 da DGS.

 

Rápido ritmo de transmissão

A variante Delta da COVID-19 foi detetada pela primeira vez na Índia, no final de 2020, e em seis meses passou a ser detetada em 74 outros países. Sabe-se que esta variante é 43 a 90% mais transmissível do que as variantes antecedentes e 30 a 100% mais infecciosa comparativamente à variante Alpha.

A maior capacidade de propagação poderá dever-se a alterações nas proteínas do vírus SARS-CoV-2 - nomeadamente, na proteína spike -, que facilitam a sua entrada nas células. Outra possível razão para o aumento da transmissibilidade pode dever-se a uma mutação que a variante Delta apresenta e que permite infetar as células humanas sem ser “descoberta”, dificultando o trabalho de defesa das células do sistema imunitário.

 

Em Portugal, a variante Alpha foi a dominante durante o mês de maio de 2021, mas estima-se que a variante Delta se possa sobrepor a esta nas próximas semanas.

 

Maior prevalência em pessoas mais jovens

Estudos no Reino Unido demonstram que crianças e adultos jovens (com idade inferior a 50 anos) apresentam um risco 2,5 vezes mais elevado de serem infetados com a variante Delta da COVID-19.

 

Conjunto de sintomas pode ser diferente do habitual

Inicialmente na pandemia, os três sintomas mais comuns e habitualmente associados à COVID-19 foram: tosse, febre e dificuldade respiratória. Contudo, na variante Delta os sintomas registados (estudo Zoe COVID Symptom Study) são:

  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta
  • Corrimento nasal
  • Febre

 

A tosse e a perda de olfato são sintomas que se tornaram menos comuns na infeção com a variante Delta.

O facto de este quadro de sintomas se poder confundir mais facilmente com uma constipação levanta preocupações devido à possibilidade de desvalorização dos sintomas. Indivíduos mais jovens, que tendem a ser atualmente mais infetados e ao mesmo tempo apresentarem menor probabilidade de desenvolver doença grave, ao desvalorizar os sintomas, não fazendo quarentena, podem contribuir para que o vírus se propague mais facilmente.

 

Sintomas aparentemente mais severos

Doentes que estejam infetados com a variante Delta da COVID-19 podem ter maior probabilidade de ser hospitalizados; comparativamente à variante Alpha, o risco pode ser aproximadamente o dobro. É importante salientar que pessoas com doenças preexistentes têm maior risco de ser hospitalizadas.

Doentes infetados com a variante Delta tendem a registar um quadro mais grave do que aqueles que foram tratados no início da pandemia. Além disso, a sua condição de saúde tem tendência a piorar mais rapidamente.

 

Esquema vacinal completo confere um elevado grau de proteção

As pessoas que receberam a vacina da COVID-19 apresentam menor probabilidade de ser hospitalizadas com a variante Delta comparativamente a pessoas que não foram vacinadas. Elevado efeito protetor foi registado cerca de três semanas após a primeira dose, mas o máximo efeito protetor verifica-se após o esquema vacinal completo, ou seja, após a toma da segunda dose no caso de vacinas com duas doses.

 

Como se pode proteger da variante Delta da COVID-19

Mantenha as medidas de prevenção recomendadas:

  • Uso de máscara
  • Manter a distância de segurança de dois metros
  • Lavar e higienizar as mãos com frequência
  • Manter higiene respiratória: tossir ou espirrar para a dobra do cotovelo
  • Cumprir o agendamento da sua vacina contra a COVID-19
Fontes:

Gavi - The Vaccine Alliance, junho de 2021

Relatório de monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19 | Relatório nº 12 - 18/06/2021, Direção-Geral da Saúde, junho de 2021

WebMD, junho de 2021

Publicado a 23/06/2021
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