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TAC: o que é, como funciona e como se preparar

Prevenção e bem-estar
6 mins leitura

A tomografia computorizada é um exame que usa radiação X para observar diferentes órgãos do corpo. Permite diagnosticar doenças sem procedimentos invasivos.

Uma tomografia computorizada (TAC) permite ter, em menos de 15 minutos, uma imagem essencial para a avaliação do organismo e diagnóstico de doenças, sendo cada vez mais segura e precisa. “Praticamente todas as partes do nosso corpo são passíveis de ser estudadas por TAC”, explica Nuno Tavares Manso, médico radiologista CUF. E também quase todas as pessoas podem fazer este exame, havendo alguns cuidados para determinados grupos. Pedro Sequeira, técnico de Radiologia CUF, destaca os avanços tecnológicos: “Com base na inteligência artificial, temos cada vez mais exames com menos tempo de exposição à radiação”. Saiba mais sobre este exame, as suas vantagens e características.



O que é uma TAC?

A tomografia computorizada, ou TAC, é um exame que faz parte da Radiologia, gerando imagens do organismo. “Permite a obtenção de imagens de várias estruturas anatómicas do nosso corpo, em que utiliza a radiação ionizante”, explica Pedro Sequeira, técnico radiologista. Trata-se de radiação X e, segundo o técnico, “depois da imagem de qualquer que seja a estrutura anatómica a estudar, nós conseguimos, através de um pós-processamento, estudá-la também em vários planos”. A abrangência deste exame leva a que quase todo o organismo possa ser estudado. Segundo Nuno Tavares Manso, médico radiologista, o raio de ação de uma TAC vai “desde a parte do aparelho locomotor - ossos, articulações, músculos -, aos órgãos propriamente ditos, o sistema nervoso central, parte do tórax, abdómen e cavidade pélvica”.

 

Sincronização: como funciona um exame TAC

Numa TAC, “o doente é deitado numa cama e entra dentro de um anel, onde está a fonte que emite o raio-X”, descreve Nuno Tavares Manso, “e é a partir dessa emissão de raio-X que é obtida depois a imagem, que o radiologista analisa”. Para isso, o equipamento “utiliza um mecanismo de sincronização entre a mesa, a ampola (que é a fonte da radiação ionizante) e o detetor, que é responsável pela receção da imagem emitida pela ampola”, explica Pedro Sequeira. O técnico radiologista lembra que “cada órgão se comporta de uma determinada forma em relação à radiação”, pelo que “é esta sincronia existente entre a ampola, o detetor e o movimento da mesa que permite a aquisição da imagem”. Posteriormente, o equipamento de pós-processamento de imagem estabelece “os vários planos da aquisição das estruturas anatómicas”.

 

Aplicações da TAC

Este exame traz várias possibilidades ao diagnóstico e tratamento médico. O radiologista Nuno Tavares Manso destaca três vertentes:

  • No diagnóstico de doenças, a procura de tumores e infeções em qualquer parte do corpo;
  • Na área osteoarticular, na avaliação do osso, a TAC tem uma sensibilidade muitas vezes superior à radiologia convencional e mesmo à ressonância magnética no diagnóstico de fraturas;
  • Nos estudos vasculares, dos vasos sanguíneos.


Quanto aos órgãos ou áreas do corpo abrangidas, o técnico Pedro Sequeira enumera “as TAC de crânio, TAC dos ouvidos, TAC do tórax, TAC abdominal e TAC cardíaco”.

 

Como se preparar e o que fazer numa TAC?

Num exame TAC, é importante - principalmente para uma boa visualização do organismo, mas também para evitar efeitos secundários - ficar algum tempo sem comer e beber. Pedro Sequeira explica que, em geral, “para a realização de uma TAC é necessário pelo menos quatro horas de jejum”. A aquisição de imagem propriamente dita, demora entre cinco e 15 minutos e o técnico CUF lembra que é preciso “o doente permanecer imóvel e respeitar as instruções que o próprio equipamento vai dando”.

Pode existir, segundo Pedro Sequeira “a necessidade de ingestão de um produto de contraste oral ou água para a realização de determinados exames, ou então o contraste endovenoso”. Nuno Tavares Manso explica que “o contraste é uma substância que é injetada, tal como se faz uma punção venosa, como se fosse para tirar sangue, e essa substância é injetada na circulação”. O contraste ajuda a fazer a leitura, permitindo “estudar com mais detalhe e com mais pormenor quer os órgãos, quer os vasos sanguíneos”, segundo o médico radiologista.

Terminado o exame, a pessoa “pode fazer a sua vida completamente normal”, assegura Pedro Sequeira, ressalvando apenas que, no caso de “administração de contraste endovenoso”, na circulação, é pedido “um reforço hídrico, para prevenir algum tipo de lesão renal”.

 

Quem não pode fazer uma TAC?

Aquando da realização de uma TAC, o paciente deve preencher um questionário de segurança. De acordo com o técnico de Radiologia Pedro Sequeira, “são elencadas perguntas como tipo de alergias e a realização de análises recentes”. Desta forma, tanto o técnico como o médico que vão realizar o exame conhecem um pouco o doente, “para também balizar a realização do exame”.

Regra geral, a principal exigência do exame é que “a pessoa esteja imóvel”, reforça o médico Nuno Tavares Manso, pelo que “vómitos e tosse incontroláveis inviabilizam completamente o exame”. No entanto, existe a possibilidade de sedação.

 

Uma TAC tem riscos?

“O exame de tomografia computorizada é um exame seguro”, começa por dizer o médico Nuno Tavares Manso sobre os riscos de uma TAC. No entanto, “utiliza radiação X, que é uma radiação que pode ter alguns efeitos nefastos para a nossa saúde”. Acontece que os benefícios sobrepõem-se: “A pessoa ganha em fazer o exame, porque estamos a esclarecer uma dúvida médica que seguramente supera o efeito negativo da utilização da radiação X”.

Mais do que riscos, existem cuidados a ter no momento da TAC. “Habitualmente somos mais criteriosos a usar o contraste em pessoas que tenham historial de reação prévia”, explica Pedro Sequeira. Isto porque o contraste intravenoso “é uma substância que pode, nalgumas pessoas, originar uma reação alérgica”, completa Nuno Tavares Manso. Por outro lado, quando existe a realização de exames cardíacos, isso deve ser referido e a preparação muda, segundo Pedro Sequeira: “Há uma medicação específica antes da realização do exame”.

 

Tecnologia ao serviço da TAC

Pedro Sequeira afirma que os avanços tecnológicos “têm beneficiado muito a realização dos exames de TAC”. Segundo o técnico de Radiologia, a inteligência artificial permite que haja em muitos exames “menos tempo de exposição à radiação”, o que é benéfico para os pacientes. Com a tecnologia os exames são mais rápidos, “0,3 segundos para uma aquisição de um exame inclusive”, segundo o técnico de Radiologia, com doses de radiação menores e mantendo a qualidade. Além de ser positivo para o doente, este avanço torna possível a realização de mais exames num dia, chegando a mais pessoas.

Isso é particularmente importante nos exames de Pediatria e Cardiologia, pois “tanto um como o outro necessitam de uma rapidez de execução muito grande e a inteligência artificial vem proporcionar isso mesmo”. Pedro Sequeira dá o exemplo das crianças, que “por vezes podem não colaborar tanto e, quanto maior a rapidez do exame, melhor para a qualidade do mesmo”.

Publicado a 31/03/2025