Há medicamentos que causam sensibilidade ao sol?

Doenças crónicas
Pele, unhas e cabelo
3 mins leitura

Alguns fármacos possuem substâncias que podem provocar hipersensibilidade cutânea ao sol. Saiba como se proteger.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, cerca de dois a três por cento dos doentes apresentam reações cutâneas adversas a medicamentos. Estas podem manifestar-se de formas muito distintas, sendo as mais frequentes exantemas, urticária, angioedema, eritema pigmentado fixo e a fotossensibilidade.

As alergias cutâneas ao sol, ou fotossensibilidade, são uma manifestação da pele à luz solar. Podem ter várias origens, desde doenças autoimunes, como o lúpus, até uma interação medicamentosa. Quando resulta deste tipo de interação, a fotossensibilidade pode acontecer na sequência da aplicação ou da ingestão do fármaco causador e pode provocar reações como a sensação de queimadura ou de irritação na pele.

 

Que tipos de fotossensibilidade existem?

Sempre que a fotossensibilidade é considerada de origem química, ou seja medicamentosa, divide-se em dois tipos: fototoxicidade e fotoalergia.

A fototoxicidade é mais frequente. Pode ocorrer logo após a exposição ao sol ou até 24 horas após essa exposição e por norma causa um efeito de queimadura solar na pele, nas zonas expostas. Essas zonas apresentam frequentemente uma descoloração castanha ou cinza-azulada e ainda vermelhidão e dor. Em casos muito excecionais, pode haver sintomatologia durante muitos anos após a suspensão da medicação.

No caso da fotoalergia, a grande diferença é que as reações cutâneas se podem manifestar também em regiões da pele que não foram expostas ao sol e num prazo que se pode manter até 72 horas após a exposição ao sol. As manifestações podem incluir vermelhidão, pele a descamar, comichão e também bolhas.

 

Quais as substâncias que tornam a pele mais sensível ao sol?

Estima-se que existam mais de 100 substâncias que, aplicadas localmente ou ingeridas, podem aumentar a sensibilidade da pele em relação à exposição à luz solar e dividem-se por vários grupos medicamentosos, nomeadamente:

  • Ansiolíticos - alprazolam, clordiazepoxida
  • Antibióticos - sulfonamida, tetraciclina, trimetoprima, ciprofloxacina, doxiciclina, levofloxacina e ofloxacina
  • Antifúngicos - griseofulvina, flucitosina
  • Antimaláricos - cloroquina, quinino
  • Antipsicóticos - fenotiazina
  • Anti-inflamatórios - cetoprofeno, diclofenac, ibuprofeno e naproxeno
  • Anti-histamínicos - cetirizina, loratadina, prometazina e ciproeptadina
  • Diuréticos - furosemida e tiazidas
  • Fármacos usados em quimioterapia - dacarbazina, metotrexato e vimblastina
  • Fármacos para o colesterol - simvastatina, atorvastatina, lovastatina e pravastatina
  • Medicamentos usados no tratamento da acne - isotretinoína e tretinoína
  • Medicamentos para a diabetes - glipizida, glyburide e glimepirida

 

Nem todas as pessoas que usam estas substâncias terão uma reação alérgica e nem sequer é garantido que, após uma primeira reação, isso aconteça sempre que seja utilizada a mesma substância.

Ainda assim, existem condições prévias que podem tornar mais provável o desenvolvimento de reações. Em simultâneo, algumas destas substâncias podem agudizar condições previamente existentes como o eczema e o herpes.

 

Como prevenir e tratar?

Caso esteja a tomar um fármaco que esteja identificado como podendo causar sensibilidade cutânea ao sol, evite a exposição solar, sobretudo entre as dez e as 14 horas. Além disto, use sempre protetor solar com fator de proteção solar (FPS) superior a 30 e idealmente, sobretudo em dias com muito sol, adicionalmente à proteção solar, use chapéu de abas largas e roupa fresca e leve, de manga comprida.

Caso, ainda assim, tenha uma reação alérgica ao sol na sequência da utilização de um fármaco, deve consultar o seu médico assistente, que provavelmente irá interromper a utilização do fármaco em questão e, em casos com manifestações mais exuberantes, recomendará o recurso a fármacos como antialérgicos e corticoides.

Fontes:

Cleveland Clinic, junho de 2023

Health, junho de 2023

Manual MSD, junho de 2023

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, junho de 2023

U.S. Food and Drug Administration, junho de 2023

WebMD, junho de 2023

Publicado a 17/07/2023